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Angu |
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Angu é um prato típico da culinária mineira (no Brasil) preparado geralmente com fubá de milho, recebendo o nome de angu de fubá ou angu de milho. Em muitas regiões, o angu é conhecido como polenta. Além da farinha de milho, o angu pode ser preparado com farinha de mandioca. Levado para a Europa pelos conquistadores da América, o milho acabou se incorporando a diversas culinárias do Velho Continente, principalmente no norte da Itália, onde o angu (polenta) não pode faltar em nenhuma mesa. A imigração italiana para São Paulo trouxe de volta o fubá cozido nessa versão mais consistente do nosso angu. Na primeira metade do século XIX, o artista Jean-Baptiste Debret, em Voyage pittoresque et historique au Brésil, descreve a venda do angu: "O angu, iguaria de consumo generalizado no Brasil, e cujo nome se dá também à farinha de mandioca misturada com água, compõe-se no seu mais alto grau de requinte, de diversos pedaços de carne, coração, bofe, língua, amígdalas e outras partes da cabeça à exceção do miolo, cortados miúdo e aos quais se ajuntam água, banha de porco, azeite dendê, cor de ouro e com gosto de manteiga fresca, quiabos, legume mucilaginoso e ligeiramente ácido, folhas de nabo, pimentão verde ou amarelo, salsa, cebola, louro, salva e tomates; o conjunto é cozido até adquirir a consistência necessária. Ao lado da marmita do cozido, a vendedora coloca sempre uma outra para a farinha de mandioca molhada. A mistura, servida convenientemente, lembra a primeira vista, um prato de arroz, recoberto de um molho marrom dourado de onde emergem pequenos pedaços de carne. Eis a iguaria, aliás suculenta e gostosa, que figura, não raro, à mesa das brasileiras tradicionais de classe abastada que com ela se regalam, embora entre chacotas destinadas a salvar as aparências e o amor próprio". Este preparo dos miúdos de vaca e porcos é bem semelhante ao sarapatel. A venda do angu pode se mostrar de importância ao se saber que o Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, em 10 de julho de 1835, estampava o seguinte anúncio: "Participa-se aos que vendem angu, que na rua dos Ourives n. 137, se acha a venda azeite de dendê fresco, em barris, a 1$200 cada medida". Em Minas Gerais, o angu preparado apenas com o fubá (farinha) de milho e água, sem a adição de sal é conhecido como "angu de escravo". Em São Tomé e Principe, na costa da África, faz-se o angu de banana. Na cidade do Rio de Janeiro, continuando a tradição das vendedoras de angu do século XIX, ficou famoso na década de 1960, o Angu do Gomes, servido numa carrocinha de ambulante, na Praça Quinze de Novembro, junto a Estação das Barcas. Com preços populares, fazia sucesso nas noites e madrugadas da cidade. Uma outra carrocinha funcionou na Praça do Lido, no bairro de Copacabana. Na Bahia, faz-se outro tipo de angu, ver abaixo. No fim do século XIX e início do século XX, o sal era taxado exorbitantemente, com isso, a iguaria de fubá de milho que era servida bem temperada, passou a ser feita sem o sal, somente com banha de porco, fubá de milho e água. Tendo o gosto do prato ficado um pouco desagradável, insosso, muitos comparavam o angu com o alimento que era oferecido aos porcos, chamado de "angu". A partir daí a receita ficou com esse nome. Apesar da semelhança com o velho alimento dos porcos, o angu atualmente costuma ser feito com bastante tempero ou servido como acompanhamento de outros pratos, sendo bastante nutritivo e saboroso. Também pode ser doce, acrescentando-se açúcar e leite de vaca ou leite de côco. O preparo do angu é bastante simples, tendo como únicos ingredientes a água e o fubá de milho, além de temperos à gosto. Modo de preparo: Ingredientes para seis pessoas: um coco ralado, 400g farinha de arroz, sal. Tirar do coco o leite puro e o leite depois de ralado, que devem completar 1 litro e meio de líquido. Dissolver a farinha no líquido e completar com água fria, se preciso; colocar sal. Cozinhar, mexendo sempre. Ao engrossar, juntar o leite grosso, ferver dois minutos apenas e colocar em forma molhada; desenformar frio. Serve-se muito com pratos como caruru, vatapá. DEBRET, Jean-Baptiste - Voyage pitoresque et historique au Brésil, ou Séjour dun artiste français ao Brésil - (Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, ou Cotidiano de um artista francês no Brasil). Primeiro volume - 1834. Segundo volume, 1835. Terceiro volume - 1839. |
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